

Clique aqui para consultar a versão em espanhol deste texto.Segundo Villanueva F.
Atualizado no DOMINGO 24/01/2010
_________________________________
São Paulo é uma boa cidade para trabalhar. Para comer e para se relacionar. Para permanecer anônimo, para fazer esporte e para curtir a vidinha própria do interior nos fins de semana. Ao longo de cinco dias aperta, pero todo mundo sabe que no sábado pela manhã... O leão vira gatinho, e o sábado e domingo se abrem como uma flor, sem muitas responsabilidades.
O fim de semana na Europa é bem mais autoritário, e sempre afirmarei, que a semana de 5 dias, aquela na qual trabalhamos, e bem mais laxa do que aqui. Mas esse é outro tema.
O nosso tema de hoje é o grande drama de São Paulo: ninguém quer ficar aqui quando tem um feriado de três dias seguidos. Os fins de semana dão para encarar. Nem falar do Natal. Nem do Reveillon (no Reveillon, nem o Brasil segura a onda). Nem da Semana Santa. Nem no dia de São Paulo quando cai na segunda-feira, bem apropriado para emendar.
Tem feriado prolongado? É preciso procurar um programa bem longe de São Paulo. A pergunta é: se gostamos tanto da cidade, por que não conseguimos curti-la do mesmo jeito que conseguimos trabalhá-la? Para ganhar dinheiro, aqui. Para homenageá-la... deixa para lá.
Quando chega um fim de semana prolongado, surge a frase mais terrível para a coitada da cidade:
- Você vai viajar?
- Não, não vou viajar, vou ficar por aqui.
O interlocutor, com tom de tristeza, como se estivesse se compadecendo de você, que não troca de carro há 3 anos:
- Não vai? Vai ficar por aqui, mesmo?
- Sim, tem muito trânsito, não tenho saco mesmo...
São Paulo merece outra coisa, mas o ato reflexo do paulistano é bem difícil de mudar. Já percebi esta característica quando vi que quase todo o mundo amava a mesma cerveja e todo o mundo desprezava também a mesma cerveja.
- Mas, não tem mais cervejas?
- Sim, mas esta é a boa e esta a ruim.
Ah meu Deus. Isto me leva ao segundo drama: o primeiro, finalizando, é o de que o programa São Paulo de fim de semana prolongado é um pouco vergonhoso, seja por ato reflexo ou por irreflexo. E o segundo é que tenho no meu poder a pesquisa da cerveja. Adivinhem: ao final de tudo, o brasileiro, na hora da verdade, não consegue distinguir a boa da ruim.
Isto da outro capítulo, o próximo.